por que café?

/ terça-feira, 5 de outubro de 2010 /
uma vez meu pai me perguntou por que eu amo tanto café.

ora essa, por que é doce e amargo - e te deixa pilhada.

que descrição melhor de mim, da minha vida, que essa? que café? (te contei que tenho transtorno bipolar?, que sou doce a amarga, triste e feliz ao mesmo tempo? pois é, rapaz. descobri dia desses, quando fui na psiquiatra, que sou bipolar 100%. estou tão feliz: depois de 5 anos de sofrimento, de choro, de me perguntar o que há de tão errado comigo, por que eu era tão ingrata com a vida que me reservou mais alegrias do que tristezas, finalmente descobri que tenho uma doença - doença essa bem comum, aliás. não, não sou ingrata e nem triste sem motivo: é genético e causado por uma disfunção da química cerebral. graças a Deus, não é minha culpa! canto para os quatro cantos do mundo: não sou assim por que quero! há um fundo químico e uma causa genética! sou bipolar!)

(o que me leva a outro porém: quero mesmo tomar 5 comprimidos por dia, que têm por finalidade (ah, colégio militar) me deixar feliz, alegre, mais calma e diminuir o fluxo dos pensamentos que atacam minha cabeça ferozmente? por que sempre que escrevo e penso que escrevi é quando estou sentindo o gosto da lama suja do fundo do poço, quando há na minha frente a perspectiva de me jogar da janela ou engolir um punhado de sommallium (dá pra morrer de sommallium? é a única coisa que tenho.). se eu for feliz/alegre o tempo todo, pra onde vai minha criatividade? como vou me mostrar forte? como vou ser guerreira se não há nada para combater? você me entende?)

tomo café descontroladamente. gosto tanto que só de olhar uma garrafa términa já me faz sentir desejo.

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