here we go again

/ sexta-feira, 18 de março de 2011 /
Meu nome não importa, minha identidade todo mundo já sabe, mas aqui vou eu:

  • eu bebo
  • eu fumo
  • eu uso psicotrópicos.
O grande ponto é sentir algo. O grande ponto é me livrar da culpa. I know I'm gonna die, e eu não sei se quero que demora muito. Eu sou uma junção de todas as tristezas que todos sentem, menos eu. Eu sou Clarice em sua melhor e mais clich~e situação: eu constantemente sinto falta do que não vivi. Constantemente, tenho que repetir.

Eu não quero sair, eu não quero te ver, eu não quero ouvir as suas besteiras. A cada saída, a cada balada, a cada bar, a cada caipirinha, a cada drama, a cada beijo, eu diminuo um pouco. Não é pra mim, nada é pra mim. Mas mesmo assim eu gosto. Eu gosto de estourar a bolinha do Lucky Strike e fumar em menos de um minuto até o talo, eu gosto de virar doses de tequila de vez - uma atrás da outra, eu gosto, eu adoro, eu amo ficar fora do ar.

De todas as minhas paixões, eu só tenho dois amores: o mundo e a fotografia. Essas são as duas coisas que me fazem chorar. Depois de divagar e divagar e divagar, entendi que é isso: eu amo só o que me faz chorar. O resto é passageiro, o resto me faz mal.

A possibilidade de encontrar alguém que entenda isso, que não me ache uma completa babaca e possa simplesmente me abraçar sem eu me retrair e sentir uma repulsa sem querer é impossível. Não existe. Eu estou fadada a ficar sozinha.

Eu não gosto de drama, eu não gosto de conflito. Eu gosto de agradar as pessoas mas tenho o dom de não ligar a mínima para a grande maioria.

Não sei escrever. Eu só consigo escrever na minha mente. Isso tudo é um vômito de uma noite sozinha, repleta de sommallium, repleta de vinho barato, repleta de leitura de Equador e de repetir incansavelmente é-cum-a-dor é-cum-a-dor.

Minhas escolhas são completamente erradas e eu tenho sonhos possíveis de realizar porém financeiramente difíceis. Quero viajar pelo mundo, quero beijar um genero diferente em cada cidade. Quero tirar fotos. Quero esquecer de todo mundo. Quero voltar, quero ser mdura, quero ser diplomata, quero chorar com a tragédia do Japão. Mas vivo em um mundo que sente falta de desastres, e as imagens e as mortes não me chocam mais.

Essa sou eu. Bem vindo ao meu pequeno mundo que não faz o mínimo sentido mas tem toda a razão.

5 comentários:

{ Etiene Rocha } on: 19 de março de 2011 21:33 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{ Etiene Rocha } on: 19 de março de 2011 21:36 disse...

Sabe do que eu tinha medo na maior parte do tempo?
De não ser lembrada quando não estivesse mais aqui.
Da minha vida não ter significado nada para ninguém, por isso as vezes penso em ter um filho. Para importar para ele assim como meus pais importaram para mim.
Estou presa nessa correnteza de desilusões e nada parece ter sentido algum para mim, desejo me libertar mas ao mesmo tempo me mantenho presa, estagnada, incapaz de agir, confusa, com medo de não amar ninguém novamente.
Alguém que me conhecesse diria que eu estava com receios bobos e que eu deveria sair e curtir a noite com algum rapaz antes dos trinta.
Mas eu não deveria estar pensando no que os outros pensariam.
Estava ficando com medo de tudo.

Eu quero importar.
Eu quero ser necessária.

{ Kari } on: 19 de março de 2011 21:56 disse...

"Eu quero importar.
Eu quero ser necessária."

Eu também. Eu não quero ser pó na Terra e virar poeira em baixo dela. Como a gente faz isso? Qual o caminho? O que fazer? Cada pessoa tem uma resposta diferente - Deus, se divertir, viajar. Mas eu estou perdida e acho que você também.

{ Etiene Rocha } on: 19 de março de 2011 22:00 disse...

Estamos perdidos.
Talvez nos encontrar seja o próposito de toda essa loucura.

{ Aurora } on: 20 de março de 2011 18:21 disse...

Não vou citar meus trechos preferidos, senão citaria quase o texto inteiro e o comentário acabaria ficando maior que o próprio post. Mas esse daqui foi o que mais me atingiu:

"Eu não gosto de drama, eu não gosto de conflito. Eu gosto de agradar as pessoas mas tenho o dom de não ligar a mínima para a grande maioria.

Não sei escrever. Eu só consigo escrever na minha mente."

Exatamente por eu me sentir da mesma forma, acredito.

E só discordo de uma única passagem - o quinto parágrafo, para ser específica. Não acho que seja impossível, não acho que você esteja fadada. A questão é reeducar sua própria mente e livrar-se de qualquer preconceito que tenha para consigo mesma. Porque, aqui do outro lado, existem pessoas que entendem, que não te acham uma completa babaca e que te abraçam com a mais pura sinceridade. Então não tem que sentir repulsa, é irracional. Acredite, é verdade. Eu posso dizer. :)

No mais, é cum a dor, é cum a dor.

 
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