E ele estava flácido.

/ quarta-feira, 8 de agosto de 2012 /

Nem tudo saiu como esperado.

Marcos era gay. Ou bissexual. Ou sei lá.

Lembro de ter chegado em sua casa com roupas para passar pelo menos uns 3 dias (calculei que esse fosse o tempo suficiente para poder enfrentar o Traidor) e ter batido na porta e ele ter aberto e ter me abraço e eu ter começado a chorar, falando entre lágrimas e coriza que idiota meu namorado era. Pelo menos eu estava traindo o babaca com meu melhor amigo, de décadas! E que era gay , mas mesmo assim me achou uma Deusa e me comia muito bom. Eu não era de ser TRAÍDA.

Marcos pigarreou e me afastou de sua camisa já molhada da minha bagunça emocional, olhou nos meus olhos (na verdade, em só um olho. Por que as pessoas dizem “encarou nos olhos” quando na verdade a gente só consegue olhar um olho de cada vez?) e disse:

- Querida, você sabe que eu sou gay, não é? 

Opa.

-Mas você é minha melhor amiga e uma Deusa. Quem consegue resistir a isso?

- Certo?! Era EXATAMENTE ISSO que estava pensado. Se aquele filho da puta quer me trair, beleza, então ele talvez não seja MATERIAL SUFICIENTE PARA MIM!

- Ok, calma. Deixa eu pegar umas cervejas. Mas calma, certo?

Ele levantou e voltou com duas Heinikeins. Ah, esse homem! Me conhecia demais. Eu já consegui imaginar me mudar para seu apartamento, pequeno mas decorado de um jeitinho que gostávamos de chamar de “Maria Antonieta comendo brioches”, acordando e passando minhas mãos em todo aquele corpo musculoso...

Eu sempre fui do tipo “não ligo pro físico. Na verdade, até prefiro uma barriguinha, por é REAL, sabe?” mas aí você repete isso e repete até ter abdomens fortes e definidos que são ótimos de acariciar na cama.

- Então. – ele pigarreou e tomou um gole de cerveja. – Você vai ficar por aqui quantos dias?

Coloquei minha garrafa na mesinha de centro e me aninhei em seu colo.

- Só uns três dias. Tudo bem? Eu só não posso voltar na kit agora e lidar com aquele Come-Bá. Tudo bem?

- Tudo, claro. – ele me abraçou forte e ficamos ali, tomando cerveja e confortáveis nos braços um dos outros. Isso que era legal de se relacionar (relacionar? Bem...) com seu melhor amigo: durante os anos que se passaram, perdemos todos nossos pudores e vimos milhares de filmes no colo um do outro, sempre na busca da posição perfeita, confortável e aquele lugarzinho ali no peito dele onde eu podia assistir ao filme sem ter que me sentir envergonhada.

E lá a gente ficou. E lá no sofá, enrolados, bebemos. Até que ele me levou para a cama, me deitou e ficou ali, sentado me olhando. Eu achei romântico, de um jeito bêbado e com o corpo flutuante característico dos bêbados.

Então me levantei em um cotovelo e puxei seu rosto em um beijo. E ele me beijou quase puritamente, quase inocentemente. Tirei minha camisa e deitei novamente, esperando que ele viesse para cima de mim. Ele se acomodou ao meu lado, roçando seus lábios no meu. Acariciei seu peito, sua cintura, aqueles pelinhos ali na barriga que levam até mais em baixo. Abri sua calça e coloquei uma mão lá dentro.

E nada. Ele estava flácido. Totalmente.

Sentei e olhei para ele, confusa:

- Tudo bem?

-  Bem, tudo... é que eu to cansado. A gente pode só dormir?

- OK. Tudo bem.

Voltei a deitar e ele se aconchegou atrás de mim, colocando seus braços em minha volta. De repente, aquela spoon ficou sufocante. Ainda mais quando não senti nada, nil, nothing, nichts.

Ah, caralho.

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