daniel e a caneta

/ quarta-feira, 5 de setembro de 2012 /

Já era a sétima vez que daniel ia no hospital e dado entrada na emergencia: sentia frio nos ossos. nas primeiras vezes, o cobriram com todos os cobertores possíveis encontrados na sala de energencia, mas daniel continuava a tremer e a bater os dentes. mas nas ultimas vezes, as enfermeiras e os médicos de plantão simplesmente não sabiam o que fazer. pensaram em coloca-lo numa sauna ou banheira com água quente, mas isso podia por a vida do garoto em risco.

ao chegar em casa e se encarar no espelho, daniel só conseguia ver seus ossos. ele colocava a roupa e ela parecia transparente onde passava o esqueleto: era era uma caveira estampada em uma roupa. ninguém mais via, só ele; e isso, claro, o deixou quieto, com medo de uma lobotomia ou algo do tipo.

daniel ia para escola e, quando passava pelos corredores espalhados, via uma caveira andando com roupas em volta; seu rosto com dois buracos negros em vez de olhos e um nariz que não estava lá. seus dentes para fora e sem carne nenhuma para esconde-los.

no inicio ele tivera medo. no inicio ele tentou o maximo que pode não encarar nenhum reflexo seu. mas depois se acostumou. o que quer que fosse aquilo, não parecia que iria ir embora, então era melhor lidar com o problema de frente.

não importava quantas roupas daniel colocasse, seus ossos ainda estavam expostos. uma vez, com sua família, viajou para a área de ski da argentina e não saiu do chalé. ninguém entendera e deram de ombros, como se fosse um capricho dele. mesmo assim, o frio que passava por debaixo da porta ainda penetrava seus ossos e ele pensou que iria morrer de frio ali, longe de casa e sem causa aparente.

uma vez, daniel tentou algo diferente:  pegar uma caneta e enficar na perna. num gesto só, com a ponta para baixo, colocou-a até ve-la chegando nos ossos. doeu que nem o inferno. ele sentiu a dor da carne, mesmo esta não estando visivel e, o pior ainda, tocar no osso superior. ele desmaiou de tanta dor e acordou minutos depois, com a caneta ainda enfiada ali, uma pequena poça de sangue em volta.

respirou fundo e puxou a caneta. pensou que ia desmaiar de novo, mas fora só uma vertigem de dor. limpou o sangue, cobriu e cuidou da ferida durante semanas, mesmo não podendo vê-la.

mas seus cuidados secretos foram em vão. como não podia ver sua carne e seus musculos e nem mesmo sua pele, não percebeu tudo ficando roxo e depois preto. só sentia a dor constante. até que teve uma febre alta e seus pais o levaram para o médico, pela oitava vez. ao dobrar a barra da calça de daniel, o medico tomou um grande susto e sua mãe fugiu o olhar, guardando o rosto no peito do seu pai. este só olhava, quieto.

ninguém parecia entender o que era aquela ferida, mas o misterio maior fora como esse menino conseguira viver com um buraco tão grande que dava para ver o osso. a carne em volta já estava podre e mal-cheirosa e a dor deveria ser insuportável, ao ponto de matá-lo.

daniel levantou nos cotovelos, começando a ficar tonto pela dosagem do remédio contra a dor e perguntou, esperançoso:

- doutor, você consegue ver meu osso?

o médico ergueu o olhar assustado e fez que sim com a cabeça. o menino pareceu rir, e o enfermeio ao lado pensara que estava perto de uma das pessoas mais insanas que ele já tinha visto.

antes de cair no sono profundo da anestesia para amputarem sua perna, daniel sorriu de novo. estava feliz. não era só ele que via, enfim. precisou se tornar 1/7 de esqueleto a menos para isso, mas a calma invadiu seu coração.

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