Impasse oral

/ sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 /
- Quero dizer, não deve ser difícil.
- Sim, cara, mas você precisa entender...
- O quê?
- Que você não pode, tipo, deixar na mão dele todo o trabalho.
- Tá, então o que eu faço?
- Fala como você quer.
- Mas e se eu não souber como eu quero?
- Como assim?
- Porra, eu não sei o que eu quero. Como eu quero. Como eu vou saber disso?
- Ué, sabendo.
- Mas sabendo COMO? Tem uma aula, tipo, no colégio ensinando que não tinha no meu?
- Não, mas é óbvio. Pra gente.
- O que você quer dizer com "a gente"? Eu não sei como eu quero que um cara me chupe. Como eu vou saber disso?
- Você vai sabendo, cara. Vai falando pra ele onde é bom.
- Tá, mas esse é o problema, eu não sei onde é bom.
- Não é possível. Você nunca, você sabe, tipo, se tocou e sabe onde você gosta?
- Ah, não me vem com essa de bater uma ok? Eu faço isso mas o ato não me esclarece como instruir um cara a me...

Pausa. As duas trocam olhares de resignação.

- Ok, ok, eu não sei como você pode não saber, mas eu entendo.
- Não, você não entende!
- Olha, é que pra mim é claro, ok?
- Mas como assim é CLARO?
- Só É, cara.
- Tá, e você não pode me explicar? Você é minha amiga. Você totalmente DEVERIA.
- Mas como eu vou te explicar o jeito que eu gosto?
- E como eu vou explicar pro cara como EU gosto? Você não tá vendo o problema aqui?
- Mas você não sabe nem o que VOCÊ gosta.
- Sim, eu sei.

As duas suspiram, frustradas.

Bebendo um pouco mais da cerveja que seguram, uma pensa que a sociedade feminina - "não seríamos uma irmandade? Por que ninguém simplesmente me explica?" - tinha falhado com ela e a outra, triste - "quero dizer, eu também não sei explicar para ela, né?" -, queria simplesmente que existisse algum tipo de manual.
No final, as duas chegam num impasse oral.

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